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Folia de Reis no Rio de Janeiro

Eventos
06 jan 2026
Melhores destinos para 2025

Entre o som da sanfona, o brilho das fitas e o bater dos pandeiros, a Folia de Reis segue resistindo ao tempo. Mesmo que, para muitos, ela pareça meio esquecida, basta chegar o ciclo natalino para que a tradição volte a ocupar ruas, quintais e casas do interior do estado do Rio de Janeiro. É festa, fé e memória coletiva: tudo ao mesmo tempo.

 

A Folia de Reis é uma herança das festas de Reis Magos, celebradas em Portugal e Espanha desde a Idade Média. No Brasil, a festa ganhou uma nova essência nas cidades do interior do Rio de Janeiro com o encontro entre influências europeias, africanas e indígenas. A Folia de Reis tem tradicionalmente a sua data de término no dia 6 de janeiro, também conhecido como Dia de Reis, mas como o Rio de Janeiro é inimigo do fim (da folia), a celebração estende-se até o dia de São Sebastião, 20 de janeiro, padroeiro da cidade.

 

Tornando-se uma das manifestações culturais mais simbólicas do Brasil. A Folia de Reis traz consigo mais do que música e cortejo; ela carrega um universo artesanal riquíssimo: máscaras, estandartes, bordados, instrumentos e figurinos feitos à mão por artesãos que transformam devoção em matéria, cor e som. Durante o giro, os foliões percorrem casas, cantam, dançam, pedem donativos e recontam, em versos e melodias, a jornada dos Reis Magos até o nascimento de Jesus.

 

Para dar vida à festa que toma conta do Rio, diversos personagens são responsáveis pela folia:

 

O Mestre

É quem comanda tudo: o canto, o ritmo e o caminho do cortejo. Usa uma farda que lembra a de marinheiro, geralmente adornada com fitas, bordados e cetim: símbolos de autoridade e devoção.

 

Alferes da bandeira

Responsável por carregar o estandarte, ele apresenta a Folia nas casas visitadas e faz a reverência aos moradores, que oferecem donativos ao grupo.

 

O Bastião (ou palhaço)

Um dos personagens mais marcantes da Folia. Representa, simbolicamente, os soldados de Herodes que, arrependidos, passam a seguir os Reis Magos. Com máscaras impactantes, roupas vibrantes e muita interação com o público, o Bastião mistura o sagrado e o lúdico, levando alegria, dança e bênçãos por onde passa.

 

Os Reis Magos

Gaspar, Melchior e Baltazar simbolizam a busca pela divindade. Muitas vezes, são representados pelo Mestre, Contramestre e Alferes.

 

Coro e instrumentistas

Cantores e músicos seguem o comando do Mestre. O número de integrantes e os instrumentos variam conforme o grupo e a região.

O artesanato é a alma material da Folia de Reis trazendo para a celebração cristã a essência brasileira:

 

Máscaras

As máscaras dos palhaços são verdadeiros ícones da Folia. Feitas em papel machê, couro ou tecido engomado, ganham cores, chifres, pinturas e colagens. Cada uma é única e carrega a assinatura do artesão e a identidade do grupo.

 

Estandartes bordados à mão

Ricamente decorados com fitas, miçangas, lantejoulas, pedrarias e pinturas, os estandartes apresentam a Folia e cumprem um papel simbólico de proteção e devoção. Geralmente trazem imagens dos Reis Magos, estrelas e passagens religiosas.

 

Figurinos cheios de cor

As indumentárias variam conforme os personagens e regiões. Chita, cetim, bordados, espelhos, símbolos cristãos e muito brilho transformam todos os personagens da festa.

 

Instrumentos feitos com saber ancestral

Caixa, pandeiro, tamborim, viola, reco-reco e ganzá marcam o ritmo do cortejo. Muitos desses instrumentos são produzidos artesanalmente, com madeira, couro, metal e fibras vegetais, por artesãos e luthiers que dominam técnicas passadas de geração em geração.

 

O mapa da Folia de Reis no estado do Rio passam por cidades que fazem parte da rede da Federação de Convention como Teresópolis, Nova Friburgo, Cabo Frio, Arraial do Cabo, entre outras como Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Mesquita e São João de Meriti, que concentram dezenas de folias tradicionais, algumas com mais de 70 anos de história. É uma tradição viva feita à mão que revela muito mais do que festas: mostra uma rede de mestres, artesãos, músicos e comunidades que resistem ao esquecimento. Mesmo em tempos de mudanças aceleradas, a Folia segue caminhando, cantando e se reinventando. Porque enquanto houver quem toque, borde, cante e acredite, Santo Reis nunca deixa de passar.